domingo, 15 de fevereiro de 2009



Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outono: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o vosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...


Claro que não estou querendo que todos tenham o talento da formidável Florbela Espanca para escrever uma declaração de amor tão profunda! Mas quando foi a última vez em que você olhou diretamente nos olhos da pessoa amada, segurando-lhe o rosto com as duas mãos e lhe disse bem lentamente, saboreando cada palavra: "Eu te amo!". Pois é... você fica imaginando que a sua carametade já sabe disso, não é? As plantas que estão lá fora esperam pela chuva para regá-las, mas as que temos dentro de casa, precisamos regar nós mesmos. Cuide melhor do seu amor, alimente-o, faça-o crescer. O relacionamento ganha outro sabor quando existe paixão. Paixão mesmo, com tudo que tem direito: uma pitada de ciúme (cuidado com a dose), carinho, sexo intenso, músicas românticas, poesias em guardanapos, saudades, frio na barriga, etc. Pode até usar as palavras de Florbela Espanca para expressar o seu amor. Como nesse outro maravilhoso soneto - Fanatismo:

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!"



Grande abraço

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