domingo, 15 de junho de 2008

Voltei!!!

Oi gente! Voltei! Desculpem a ausência, mas acontece que depois de mais de dois anos - modéstia à parte - tirei merecidas férias. Durante as férias eu só usava o computador para gravar DVDs. Quase nem checava meus e-mails. Mas continuei trabalhando nesse projeto - observando, pensando, lendo.
Para o meu retorno, ao invés de um filme ou um "estudo de caso" com um casal fictício (nem tanto...), trago uma poesia que gostaria muito que lessem atentamente. A autora é Florbela Espanca e foi musicada por Raimundo Fagner:

Fumo


Longe de ti são ermos os caminhos,

Longe de ti não há luar nem rosas,

Longe de ti há noites silenciosas,

dias sem calor, beirais sem ninhos!


Meus olhos são dois velhos pobrezinhos

Perdidos pelas noites invernosas...

Abertos, sonham mãos cariciosas,

Tuas mãos doces, plenas de carinhos!


Os dias são Outonos: choram... choram...

Há crisântemos roxos que descoram...

Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!


E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,

Fumo leve que foge entre os meus dedos!...


Não basta ler... não basta apreciar... é preciso sentir. Agora vem o ponto aonde quero chegar: algumas pessoas pensam o caminho para o saber é ler muito. Para mim isso é o mesmo que alguém achar que se alimenta bem apenas por comer muito. O importante é comer bem - e aí vem outro engano: comer bem não significa comer o mais caro - comer caviar iraniano não vai dar a ninguém super-poderes, embora seja muito chique e sirva para impressionar algumas pessoas.

Da forma como é a poesia de Florbela, quero que seja o meu relacionamento - quente, intenso, apaixonado, comprometido. Quero ter (e eu tenho, felizmente) ao meu lado alguém com quem eu SEMPRE quero estar - "na rua, na chuva ou na fazenda, ou numa casinha de sapé".

Alimentem suas almas com mais uma da Florbela (também musicada pelo Fagner):

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !

Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !

E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Forte abraço.

André Luiz

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