Outro dia assisti a um programa chamado "Inspetores do Sexo". É um tipo de reality show onde um casal, presumidamente com problemas de relacionamento, recebe dicas sobre sedução, erotismo, etc. Para identificar as causas dos problemas, são instaladas câmeras de vídeo pelo doce lar, inclusive no ninho de amor do casal. Além disso, os "pombinhos" são submetidos a algumas entrevistas e então dois especialistas em sexo e relacionamento - Tracey Cox (sem trocadilho) e Michael Alvear analisam o comportamento do casal e dão suas orientações.
No episódio que assisti - juro que foi só um! - o casal que vi
nha experimentando um "esfriamento" de sua vida sexual, foi aconselhado a produzir uma fita de vídeo erótico. Eles ficaram bastante empolgados a princípio, especialmente com os preparativos, como escrever o roteiro (é sério, havia um roteiro!) e escolher as fantasias. Não me surpreendeu, no entanto, o fato de a gravação ter sido um fracasso - não foi divertido pra nenhum dos dois (segundo depoimento deles) e a esposa acabou pedindo ao marido que destruísse a fita sem ter sequer assistido. Não creio que tenha sido uma boa idéia, mesmo! Saber que tudo está sendo registrado em vídeo pode inibir o casal (se não forem profissionais do ramo, é claro), além de poder criar uma situação bastante constrangedora no futuro.Outro conselho foi de que a esposa anotasse em pequenos pedaços de papel depositados em um vaso, as coisas que a deixavam mais excitada. A idéia era de que a cada dia, o marido pegasse aleatoriamente um dos papéis e "cumprisse a tarefa". Esta segunda idéia até que pode ter sido divertida (principalmente pra ela), mas não acredito que estejam procedendo o tal sorteio até hoje... Sem falar que a "lista de desejos", fica limitada pela capacidade (ou coragem) de expressão de quem a escreve.
É muito difícil dar palpites que sirvam pra alguma coisa, no campo do relacionamento de casais. Sabem o que eu acho? - que a chave para a felicidade do casal está dividida em duas partes iguais, estando cada um com uma dessas partes. Complicado é identificar em meio a toda tralha que guardamos, a bendita metade da chave e convencer o outro a fazer o mesmo.
Nessa metáfora, identificar a metade da chave é conhecer a sí mesmo e ao seu par, e isso ninguém pode fazer melhor do que o próprio casal.
Vida longa
André Luiz
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