sexta-feira, 4 de abril de 2008

Quem é o inimigo?

Caras leitoras e leitores...

Como em qualquer outra, na Guerra dos Sexos a identificação do inimigo depende da posição do observador. Não existem vitoriosos em uma guerra - é o total fracasso do modelo de civilização. Se existe realmente uma "Guerra dos Sexos" acontecendo, podemos tentar achar uma solução civilizada pra isso. Um caminho para a solução (que talvez nunca aconteça), é o entendimento das motivações de cada parte, afinal cada uma das partes tem a convicção de estar com a razão, e por isso não admite negociar. Certo, então vamos tentar entender a outra parte - o que acham?
Podemos começar com um filme chamado Inimigo Meu (Enemy Mine), de 1985, dirigido por Wolfgang Petersen e estrelado por Dennis Quaid e Louis Gosset Jr. A história de ficção científica narra uma guerra entre os planetas Terra e Dracon.
Em uma das muitas batalhas dessa guerra, o soldado terráqueo Willis Davidge (Quaid) e o soldado draconiano Jeriba Shigan (Gosset Jr.), acabam confinados em um planeta inóspito e desconhecido para ambos.
_ Espera aí... o que tem isso a ver com o relacionamento de casais, guerra dos sexos, etc.?

TUDO!

Senão, vejamos... mulheres e homens são, em determinadas situações, tão diferentes quanto seres de planetas diferentes - e o casamento, ou qualquer outra modalidade de união entre os mesmos, apresenta-se muitas vezes como um terreno hostil, desconhecido, cheio de surpresas ameaçadoras, assim como o tal planeta da história.

Mas continuando... o que começa com o ódio mortal entre as duas tão diferentes criaturas, acaba progredindo para uma profunda amizade, sedimentada pela admiração e respeito mútuo às diferenças de costumes. O terráqueo dedica muito do seu tempo ao aprendizado da complexa cultura draconiana. O draconiano aprende a falar a língua do terráqueo (inglês nesse caso).
Em determinado ponto da trama, é feita pelo soldado draconiano uma espantosa revelação ao seu companheiro de confinamento terráqueo. Ele está grávido! Mas como seria possível? Segundo explicação dada pela criatura gestante, os draconianos não precisam de pares para que possam reproduzir. Confesso que quando assistí a esse filme pela primeira vez (eu tinha uns 17 anos) , achei que aquela situação desafiava a lógica. Hoje sei que existem espécies de lagartos que se reproduzem por partenogênese - sem participação do macho! Na verdade, como os filhotes têm apenas genes das suas mães, são cópias idênticas das mesmas - fêmeas portanto. Isso mesmo, não existem machos dessas espécies. Mas há um fato curioso - as fêmeas simulam um acasalamento, com uma delas assumindo a posição do macho e a outra a da fêmea (hummm!).
Bem, mas voltando ao filme, Jeriba argumenta com Willis que os terráqueos precisam de dois indivíduos para procriar para que tenham a alegria de uma breve (algumas vezes muito breve mesmo) união. Segundo o draconiano, os terráqueos estão sempre solitários (intimamente). Nos faz pensar... machos e fêmeas produzem tantas substâncias iguais! porque a chave para procriar foi dividida em duas partes e cada uma delas dada a um gênero de nossa espécie? Talvez a resposta seja que o cruzamento genético, tende a produzir uma evolução nos indivíduos, ou talvez seja esta a única forma de obrigar criaturas egoístas por natureza a se unir para alguma coisa.

Até a próxima e assistam Inimigo Meu (juntos, de preferência)

Abraço

André Luiz

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