quarta-feira, 23 de abril de 2008

Catarina & Catarino

Hoje vamos falar de um casal comum: Catarina e Catarino. Qualquer semelhança com personagens ou eventos reais, com certeza não pode ser considerada mera coincidência.

Nosso casal já vem compartilhando o teto há algum tempo... Catarino é um homem comum (apesar do nome incomum) do tipo que gosta de futebol, filmes pornôs, cerveja, churrasco, jogo de palitinho, etc. Catarina é uma mulher comum do tipo que gosta de novelas, revistas que contam a vida dos famosos, longas tardes em salões de beleza, filmes românticos, flores, etc.

Apesar de "comerem sal juntos" há alguns anos, Catarina e Catarino ainda não se conhecem tanto o quanto deveriam. Ele tenta esconder uma frustração sexual que acaba sendo revelada nos momentos mais impróprios. Ela não entende o que ele quer, principalmente porque ele só fala sobre o assunto sendo sarcástico.


Já que estamos metendo o bedelho na vida do casal (e eles não sabem disso), vamos mais fundo (metaforicamente, claro). A vida sexual de Catarino começou como a de muitos outros meninos - com a masturbação. Não há nada de errado (na minha comprometida opinião) com esta prática, mas existem equívocos no tratamento a ela dispensado. Pra começar temos o nome: masturbação - do latin, manusstuprare - algo como "manchar com as mãos". Posto dessa forma, a prática da "auto-ajuda sexual" ganha traços de pecado, de algo sujo que deve ser motivo de vergonha aos seus praticantes. Sendo assim, Catarino fazia o possível para que ninguém notasse que ele se masturbava. Usar a hora do banho pareceu uma boa idéia, porque é uma oportunidade de estar sozinho, trancado no banheiro, à vontade... bem... mais ou menos à vontade. Levar muito tempo no banho poderia despertar suspeitas, então teria que ser rápido. Pronto! Agora temos a masturbação sendo transformada em um treinamento para desenvolver ejaculação precoce.

Com o passar do tempo, Catarino procura recursos para aumentar o prazer da masturbação, conhecendo então a pornografia. Agora suas fantasias ganham novos contornos. Suas expectativas em relação ao sexo vêm das imagens dos filmes e das páginas de revistas pornográficas.


Catarina, por sua vez, foi educada como uma "boa menina", aprendendo que deveria sufocar qualquer manifestação de sexualidade, sob pena de tornar-se vulgar. Sua expectativa sexual estava relacionada à imagem do homem perfeito - o tal príncipe dos contos de fadas - bonito, corajoso, forte, educado, inteligente e apaixonado. Ela não pensava muito em detalhes da relação sexual. Não imaginava seu príncipe encantado sequer tendo uma ereção, quanto mais cobrando dela coisas como sexo anal ou oral...


Catarina e Catarino estão sozinhos em um barco a remo. Desejam ir ao mesmo destino, porém discordam a respeito do caminho a ser percorrido. Então remam em diferentes direções, o que além de desgastá-los, não os leva a lugar algum.


Mais maduros e conhecendo um ao outro, eles podem chegar a um acordo, continuar "espetando-se" em um relacionamento superficial e infeliz ou desistir de tudo. O acordo parte do reconhecimento de uma verdade:

Catarino não é um príncipe encantado e Catarina não é a Linda Lovelace.


Abraços


André Luiz

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