domingo, 27 de julho de 2008

A mistura

Outro dia eu estava assistindo a uma entrevista feita a algumas pessoas na rua, sobre o resultado de uma pesquisa sobre comportamento sexual. Uma das entrevistadas disse que sexo é um "complemento" na relação. Já ouvi isso antes, dito por pessoas cujos relacionamentos haviam fracassado. Uma criatura de uma espécie cuja continuação depende do sexo, posto que se reproduz através da relação sexual, dizendo que sexo é um complemento? Estranho... talvez ela pertença à corrente que defende que os bebês são entregues por cegonhas.
Independente da finalidade do sexo em uma relação, atribuir-lhe pouca importância é tão ingênuo quanto crer na fábula das cegonhas.
Senão vejamos:
O que um homem heterossexual procura em sua cara-metade? Fácil: tem que ser uma mulher! Esta é a condição sine qua non. Depois disso vem toda aquela lista utópica de adjetivos.
O que uma mulher heterossexual procura em sua cara-metade? Um homem! Ela quer um homem que seja fiél, sincero, inteligente, bem-sucedido, bem-humorado, blá, blá, blá.
Nos dois casos, a orientação sexual definiu a primeira e mais importante característica da pessoa escolhida - ser do sexo oposto. NOTA: Como este blog foi motivado pelos conflitos resultantes da tentativa de convivência entre pessoas de sexos diferentes (daí o título: "Guerra dos Sexos"), não discuto a questão da importância do sexo para casais homossexuais. Não se trata de preconceito, mas de ignorância no assunto mesmo.
Responda você a seguinte pergunta: Que características teria a pessoa ideal para conviver comigo?

Mas o que diabos o título deste post tem a ver com o assunto? Tem sim: em São Paulo, costuma-se usar a expressão mistura para tudo que seja usado como acompanhamento para o tradicional arroz e feijão - carne, frango, ovos, peixe, etc. A "mistura" torna a refeição mais saborosa e nutritiva.

Abraço

André Luiz

sexta-feira, 27 de junho de 2008

The incredible shrinking man


Tem gente que reclama de tudo:

No trabalho reclama dos colegas, do chefe, do estacionamento, dos clientes;
No trânsito reclama dos outros motoristas, dos pedestres, da sinalização, da polícia;
Em casa reclama do cônjuge, dos filhos, do animal de estimação, dos vizinhos;
Reclama sempre do clima: está muito quente, muito frio, muito seco, muito úmido;

Haja paciência para conviver com alguém assim... E o pior é quando a parte infeliz que arrasta a tal cruz começa a se adaptar, a concordar com a rabugice.
Mas espera aí... não precisamos nos adaptar à nossa cara-metade para preservar nossa relação? Sim, mas desde que isso não signifique desistir da vida. E esta adaptação só funciona quando ambos estão dispostos a submeter-se aos possíveis ajustes. Quando somente um cede, ele acaba perdendo todo o espaço e se transformando em pano de fundo, paisagem, cenário. Como um camaleão vai tomando a côr das coisas que a cercam e perdendo personalidade até desaparecer de vez (como no filme O Incrível Homem que Encolheu, de 1957, dirigido por Jack Arnold).
Tolerância é uma coisa, anular a sí mesmo é outra - ninguém vale isso, principalmente considerando que a população adulta do mundo é estimada em mais de quatro bilhões de pessoas, com as mais variadas características e gostos. A não ser que o suposto "reprimido" sinta-se bem com isso - aí a história é outra.

Abraço

André Luiz

terça-feira, 24 de junho de 2008

Bom pra dois


Naquele dia, Catarino foi correndo pra casa. Seu time, após um longo jejum finalmente estava disputando as quartas de final de uma importante competição! Não bastasse a sua paixão pelo Arranca-Toco Futebol Clube, ele ainda havia apostado algumas caixas de cerveja com colegas de trabalho.
Abre a porta, afrouxa a gravata, atira a maleta no sofá, pega o controle remoto em cima da TV, senta-se na mesinha de centro e... click!
- Bem a tempo!
Os times acabavam de entrar em campo.
- Dá tempo pra pegar uma latinha...
corre até a geladeira, pega uma lata, bate a porta da geladeira, volta pra sala - Apita o árbitro! - bola rolando e a saída de bola é do Arranca-Toco Futebol Clube.

A porta se abre... Catarina chegando do trabalho.
- Começou? - pergunta afobada ao marido, enquanto atira a bolsa no sofá (ao lado da maleta de Catarino) e acomoda-se ao seu lado na mesinha de centro.
Assistem a partida juntos vibrando a cada lance... mas o Arranca-Toco acaba perdendo por 1 a 0.
- Fazer o quê? Futebol é uma caixinha de surpresas.

No dia seguinte, Catarina foi correndo pra casa. Era a reprise do último capítulo da novela que fôra exibido na noite passada - no mesmo horário do jogo. Quando abre a porta lá está Catarino, sentado na mesma mesinha de centro.
- Começou? - pergunta afobada ao marido, acomodando-se ao seu lado.
Assistem ao último capítulo da novela. Um último capítulo típico - podia ter sido melhor.
O time deles pode não estar muito bem e a novela pode não ter sido das melhores, mas esse nosso casal está realmente fazendo progressos.

Abração

André Luiz

domingo, 15 de junho de 2008

Voltei!!!

Oi gente! Voltei! Desculpem a ausência, mas acontece que depois de mais de dois anos - modéstia à parte - tirei merecidas férias. Durante as férias eu só usava o computador para gravar DVDs. Quase nem checava meus e-mails. Mas continuei trabalhando nesse projeto - observando, pensando, lendo.
Para o meu retorno, ao invés de um filme ou um "estudo de caso" com um casal fictício (nem tanto...), trago uma poesia que gostaria muito que lessem atentamente. A autora é Florbela Espanca e foi musicada por Raimundo Fagner:

Fumo


Longe de ti são ermos os caminhos,

Longe de ti não há luar nem rosas,

Longe de ti há noites silenciosas,

dias sem calor, beirais sem ninhos!


Meus olhos são dois velhos pobrezinhos

Perdidos pelas noites invernosas...

Abertos, sonham mãos cariciosas,

Tuas mãos doces, plenas de carinhos!


Os dias são Outonos: choram... choram...

Há crisântemos roxos que descoram...

Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!


E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,

Fumo leve que foge entre os meus dedos!...


Não basta ler... não basta apreciar... é preciso sentir. Agora vem o ponto aonde quero chegar: algumas pessoas pensam o caminho para o saber é ler muito. Para mim isso é o mesmo que alguém achar que se alimenta bem apenas por comer muito. O importante é comer bem - e aí vem outro engano: comer bem não significa comer o mais caro - comer caviar iraniano não vai dar a ninguém super-poderes, embora seja muito chique e sirva para impressionar algumas pessoas.

Da forma como é a poesia de Florbela, quero que seja o meu relacionamento - quente, intenso, apaixonado, comprometido. Quero ter (e eu tenho, felizmente) ao meu lado alguém com quem eu SEMPRE quero estar - "na rua, na chuva ou na fazenda, ou numa casinha de sapé".

Alimentem suas almas com mais uma da Florbela (também musicada pelo Fagner):

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !

Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !

E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Forte abraço.

André Luiz

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Catarina & Catarino

Hoje vamos falar de um casal comum: Catarina e Catarino. Qualquer semelhança com personagens ou eventos reais, com certeza não pode ser considerada mera coincidência.

Nosso casal já vem compartilhando o teto há algum tempo... Catarino é um homem comum (apesar do nome incomum) do tipo que gosta de futebol, filmes pornôs, cerveja, churrasco, jogo de palitinho, etc. Catarina é uma mulher comum do tipo que gosta de novelas, revistas que contam a vida dos famosos, longas tardes em salões de beleza, filmes românticos, flores, etc.

Apesar de "comerem sal juntos" há alguns anos, Catarina e Catarino ainda não se conhecem tanto o quanto deveriam. Ele tenta esconder uma frustração sexual que acaba sendo revelada nos momentos mais impróprios. Ela não entende o que ele quer, principalmente porque ele só fala sobre o assunto sendo sarcástico.


Já que estamos metendo o bedelho na vida do casal (e eles não sabem disso), vamos mais fundo (metaforicamente, claro). A vida sexual de Catarino começou como a de muitos outros meninos - com a masturbação. Não há nada de errado (na minha comprometida opinião) com esta prática, mas existem equívocos no tratamento a ela dispensado. Pra começar temos o nome: masturbação - do latin, manusstuprare - algo como "manchar com as mãos". Posto dessa forma, a prática da "auto-ajuda sexual" ganha traços de pecado, de algo sujo que deve ser motivo de vergonha aos seus praticantes. Sendo assim, Catarino fazia o possível para que ninguém notasse que ele se masturbava. Usar a hora do banho pareceu uma boa idéia, porque é uma oportunidade de estar sozinho, trancado no banheiro, à vontade... bem... mais ou menos à vontade. Levar muito tempo no banho poderia despertar suspeitas, então teria que ser rápido. Pronto! Agora temos a masturbação sendo transformada em um treinamento para desenvolver ejaculação precoce.

Com o passar do tempo, Catarino procura recursos para aumentar o prazer da masturbação, conhecendo então a pornografia. Agora suas fantasias ganham novos contornos. Suas expectativas em relação ao sexo vêm das imagens dos filmes e das páginas de revistas pornográficas.


Catarina, por sua vez, foi educada como uma "boa menina", aprendendo que deveria sufocar qualquer manifestação de sexualidade, sob pena de tornar-se vulgar. Sua expectativa sexual estava relacionada à imagem do homem perfeito - o tal príncipe dos contos de fadas - bonito, corajoso, forte, educado, inteligente e apaixonado. Ela não pensava muito em detalhes da relação sexual. Não imaginava seu príncipe encantado sequer tendo uma ereção, quanto mais cobrando dela coisas como sexo anal ou oral...


Catarina e Catarino estão sozinhos em um barco a remo. Desejam ir ao mesmo destino, porém discordam a respeito do caminho a ser percorrido. Então remam em diferentes direções, o que além de desgastá-los, não os leva a lugar algum.


Mais maduros e conhecendo um ao outro, eles podem chegar a um acordo, continuar "espetando-se" em um relacionamento superficial e infeliz ou desistir de tudo. O acordo parte do reconhecimento de uma verdade:

Catarino não é um príncipe encantado e Catarina não é a Linda Lovelace.


Abraços


André Luiz

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Impenetrabilidade

Vocês já observaram aqueles casais dos comerciais de cartões de crédito? tão felizes e sorridentes... qual é o problema com a vida real? Seria o limite ou a bandeira do cartão de crédito? Nada disso... casais ricos também têm os seus problemas. Realizar uma pomposa cerimônia em um castelo na Europa com a presença de celebridades como convidados não garante o sucesso de uma união (claro que não estou falando de um jogador de futebol... claro que não).
A união de duas pessoas já começa desafiando - metaforicamente - o princípio físico da impenetrabilidade (não é o que estão pensando...) que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaco...
Considerando que o tamanho de cada elemento do casal seja representado por sua importância no relacionamento, cada um deveria ocupar exatamente a metade do espaço. Se um dos dois resolve usar mais do que o espaço que lhe cabe, estará oprimindo o outro, que por consequência, pode conformar-se recolhendo-se ao que lhe restou dessa injusta divisão ou desistir e procurar outro espaço para sí.
E vocês? Estão bem acomodados em seus espaços? Pensem nisso.

Abraço

André Luiz

domingo, 13 de abril de 2008

Caricatura II


Crianças, como o último "sermão chato" foi dirigido a nós - os meninos, o de hoje vai para elas - as meninas. Então senhores, por favor, comportem-se e não interrompam.
Garotas, vou começar contando-lhes um segredo que pode deixá-las chocadas: VOCÊS SÃO MULHERES! É verdade! Um rápido auto-exame visual pode confirmar isso - são mulheres, e portanto são diferentes dos homens. Não são melhores e nem são piores - são diferentes.
Deve ser uma frustração quando a mulher vai a um salão de beleza, espera por várias horas para ser atendida, depois submete-se a uma série de procedimentos para melhorar a aparência do cabelo, das unhas, do calcanhar, da pele, etc, etc, etc e o seu amado nem percebe! Repito - somos diferentes - e está tudo bem assim, desde que tenhamos respeito pelas nossas diferenças. Ainda hoje estava ouvindo a opinião de um psicanalista (no rádio) sobre isso... foi uma coincidência, porque, eu já tinha escrito parte desta postagem.
Entre outras coisas, o psicanalista comentou que algumas mulheres sentem-se hoje ofendidas quando um homem comporta-se como um cavalheiro. Mas afinal, quando um homem abre a porta do carro para uma mulher, ele não está dizendo que ela não consegue abrir a porta, apenas tentando ser gentil! Não vejo em que isso possa atingir a liberdade feminina, especialmente nos dias de hoje.
Defendo a igualdade de direitos e deveres, mas isso não implica em uma uniformidade de comportamentos e costumes.
Portanto meninas, apesar de nossas piadinhas (isso é mais forte que nós...) e da nossa incapacidade de observar detalhes (como diferentes tonalidades de esmalte), continuem gastando horas no salão, emocionando-se com facilidade, levando horas para se vestir... continuem sendo mulheres.

Abraço

André Luiz

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Caricatura

Lembram-se do que falei antes sobre as piadas? pois é... mudei de idéia. Ao invés de evitá-las sob o pretexto de que podem não ser corretamente interpretadas pela parte atingida, podemos usá-las. Querem ver? Vejam esta que recebí por email:

Três mulheres, uma noiva, uma casada e uma amante, estavam conversando sobre seus relacionamentos e decidiram agradar a seus homens. Aquela noite todas as três iriam testar a sensualidade e o poder que exerciam sobre seus companheiros, usando corpete de couro, máscara nos olhos e botas de cano alto. Após alguns dias, elas tornaram a se encontrar. Cada uma relatou a sua experiência. Disse a noiva: - Naquela noite, quando meu namorado chegou em casa encontrou-me usando o corpete de couro, botas com 12cm de salto e máscara sobre os olhos. Ele me olhou intensamente e disse: ' Você é a mulher da minha vida, eu te amo'. Então fizemos amor a noite inteira. A amante contou a sua versão: - Ah, comigo também foi parecido. Naquela noite encontrei meu amante no escritório. Estava usando um corpete de couro, mega saltos, máscara sobre os olhos e... mais nada! Usava uma capa de chuva para cobrir meu corpo. Quando eu abri a capa, ele não disse nada... seus olhos me devoraram... me agarrou e tivemos sexo a noite toda. E aí a casada contou sua história: - Naquela noite eu mandei as crianças para a casa da minha mãe. Arrumei-me como combinado: corpete de couro, super saltos, máscara sobre os olhos. Então resolvi incrementar o visual. Aproveitei para inaugurar um perfume novo e um batom vermelho que nunca tinha usado antes. Lembrei-me de um comentário que meu marido fez sobre a sensualidade da roupa íntima preta e coloquei a que acabara de comprar... um fio dental com um lacinho de cetim em ponto estratégico. Quando meu marido chegou do trabalho, abriu a porta e me encontrou em pé no meio do quarto fazendo caras e bocas. Olhou-me de cima abaixo e disse: E aí Batman, o que temos para o jantar?

É engraçado, concordo, mas será mesmo que um homem casado em uma situação como essa, teria uma reação tão diferente da que tiveram o noivo e o amante? Alguns talvez.
Uma piada como essa, tem pra mim o mesmo efeito de uma caricatura - os exageros acabam facilitando a identificação do indivíduo, destacando características peculiares.
Claro que é uma piada, mas façamos uma exercício de imaginação, tentando "desenhar" o tal marido em nossas mentes. Pra mim, o cara é do tipo inseguro e então precisa inibir a sensualidade da companheira de modo que ela, conformada em seu mundo doméstico, atrofiada, continue sendo sua propriedade. Pobre mulher... pobre homem.
O final da piada foi ótimo, mas se pensarmos bem, o terceiro casal podia ter obtido muito mais da experiência do que os outros dois, uma vez que sendo casados eles supostamente se conhecem melhor do que os noivos e os amantes, sabendo portanto exatamente o que fazer para levar o outro "às nuvens". Mas dessa forma não seria uma piada, não é mesmo?
Rapazes, as vítimas do "sermão" de hoje fomos nós. Então aproveite pra pensar um pouco (dessa vez sozinho mesmo). Você pode estar com a mulher dos seus sonhos bem diante dos seus olhos, ao alcance das suas mãos, esperando por um sinal seu, e ambos podem estar perdendo a única coisa que não conseguimos de volta: tempo.

Abraços

André Luiz

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A verdade NÃO está lá fora

Olá draconianos e terráqueos,

Outro dia assisti a um programa chamado "Inspetores do Sexo". É um tipo de reality show onde um casal, presumidamente com problemas de relacionamento, recebe dicas sobre sedução, erotismo, etc. Para identificar as causas dos problemas, são instaladas câmeras de vídeo pelo doce lar, inclusive no ninho de amor do casal. Além disso, os "pombinhos" são submetidos a algumas entrevistas e então dois especialistas em sexo e relacionamento - Tracey Cox (sem trocadilho) e Michael Alvear analisam o comportamento do casal e dão suas orientações.
No episódio que assisti - juro que foi só um! - o casal que vinha experimentando um "esfriamento" de sua vida sexual, foi aconselhado a produzir uma fita de vídeo erótico. Eles ficaram bastante empolgados a princípio, especialmente com os preparativos, como escrever o roteiro (é sério, havia um roteiro!) e escolher as fantasias. Não me surpreendeu, no entanto, o fato de a gravação ter sido um fracasso - não foi divertido pra nenhum dos dois (segundo depoimento deles) e a esposa acabou pedindo ao marido que destruísse a fita sem ter sequer assistido. Não creio que tenha sido uma boa idéia, mesmo! Saber que tudo está sendo registrado em vídeo pode inibir o casal (se não forem profissionais do ramo, é claro), além de poder criar uma situação bastante constrangedora no futuro.
Outro conselho foi de que a esposa anotasse em pequenos pedaços de papel depositados em um vaso, as coisas que a deixavam mais excitada. A idéia era de que a cada dia, o marido pegasse aleatoriamente um dos papéis e "cumprisse a tarefa". Esta segunda idéia até que pode ter sido divertida (principalmente pra ela), mas não acredito que estejam procedendo o tal sorteio até hoje... Sem falar que a "lista de desejos", fica limitada pela capacidade (ou coragem) de expressão de quem a escreve.
É muito difícil dar palpites que sirvam pra alguma coisa, no campo do relacionamento de casais. Sabem o que eu acho? - que a chave para a felicidade do casal está dividida em duas partes iguais, estando cada um com uma dessas partes. Complicado é identificar em meio a toda tralha que guardamos, a bendita metade da chave e convencer o outro a fazer o mesmo.
Nessa metáfora, identificar a metade da chave é conhecer a sí mesmo e ao seu par, e isso ninguém pode fazer melhor do que o próprio casal.


Vida longa


André Luiz

domingo, 6 de abril de 2008

Eu quero você como eu quero

O jantar perfeito, à luz de velas, ao som de suaves músicas tocadas em um piano, regado com um bom vinho. Ela com um elegante vestido, jóias legítimas e um belo penteado. Ele com um elegante traje branco, barba bem feita e discretamente perfumado. Ela está pensando: esta está sendo a melhor noite da minha vida! Ele está pensando: esta será a melhor noite da minha vida.
Estão no mesmo caminho, seguindo para o mesmo destino, mas enquanto ela está admirando a paisagem, parando para colher flores, experimentando as frutas, sentando para descansar à sombra de uma árvore, ele está ansioso para chegar e, caso a escolha tenha sido dele (não creio), contrariado por não ter escolhido um caminho mais curto.
Alguém por certo recomendaria que o casal revezasse a escolha do caminho. Boa! Assim, cada um ficaria satisfeito cinquenta por cento do tempo. Se passarem vinte anos juntos, terão vivido dez anos felizes cada um. Não conseguimos pensar em nada melhor? - Não sei - mas não vou continuar tentando, e estou convencido de que a solução seja o entendimento mútuo.

Abraço e boa viagem (com ou sem atalho)

André Luiz

sábado, 5 de abril de 2008

Trégua!

Senhores e senhoras,

Eu pretendia começar este post com uma piadinha sobre o comportamento feminino, mas adivinhem só... lembrei de uma passagem do filme Inimigo Meu (por falar nisso, já assistiram?) em que o Willis fala pro Jeriba que Mickey Mouse era um Grande Professor (um tipo de líder espiritual) em seu planeta. Em uma discussão entre ambos, Willis insulta o Grande Professor Drac Shizumaat e Jeriba retruca, insultando o Grande Professor Mickey Mouse. Captaram? Jeriba não entendeu como uma piada... ele não fazia idéia de quem era o tal Mickey Mouse. Sob diferentes pontos de vista, algo a princípio muito engraçado, pode não fazer o menor sentido ou até mesmo ser um insulto, uma agressão.
Willis passa a respeitar o Grande Professor Drac Shizumaat, a partir do momento em que compreende a cultura draconiana, desculpando-se por tê-lo ofendido, e para sua surpresa, Jeriba desculpa-se por ter ofendido ao "Grande Professor Mickey Mouse" - fantástico!
Será que conseguimos fazer esse exercício? Estudar as diferenças um do outro pode produzir ótimos resultados: além de aprender mais (o que é sempre bom), podemos passar a ter prazer com algo que era motivo de irritação.
Querem um exemplo prático? Minha irmã detestava futebol, meu cunhado adorava futebol - um casal comum. Minha irmã assistia às novelas no quarto, enquanto meu cunhado estava na sala assistindo ao futebol. A diferença de gosto promovia a separação deles (pelo menos por 90 minutos). Certo dia, minha mãe perguntou à minha irmã se ela já havia tentado assistir a uma partida de futebol com ele. Sabem o que aconteceu? Hoje ela não apenas assiste às partidas, como acompanha as resenhas, lê a revista Placar e está melhor informada sobre o assunto do que ele! E estão pensando que foi algum sacrifício pra ela? muito pelo contrário... ampliou as suas possibilidades de entretenimento! E o melhor de tudo, agora eles assistem juntos às partidas de futebol. Isso significa que para que possam ser felizes, os casais devem gostar das mesmas coisas? NÃO! Isso siginifica que a ignorância pode ser o único motivo porque não gostamos de alguma coisa.

Pensem nisso (juntos).

Abraço

André Luiz

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Quem é o inimigo?

Caras leitoras e leitores...

Como em qualquer outra, na Guerra dos Sexos a identificação do inimigo depende da posição do observador. Não existem vitoriosos em uma guerra - é o total fracasso do modelo de civilização. Se existe realmente uma "Guerra dos Sexos" acontecendo, podemos tentar achar uma solução civilizada pra isso. Um caminho para a solução (que talvez nunca aconteça), é o entendimento das motivações de cada parte, afinal cada uma das partes tem a convicção de estar com a razão, e por isso não admite negociar. Certo, então vamos tentar entender a outra parte - o que acham?
Podemos começar com um filme chamado Inimigo Meu (Enemy Mine), de 1985, dirigido por Wolfgang Petersen e estrelado por Dennis Quaid e Louis Gosset Jr. A história de ficção científica narra uma guerra entre os planetas Terra e Dracon.
Em uma das muitas batalhas dessa guerra, o soldado terráqueo Willis Davidge (Quaid) e o soldado draconiano Jeriba Shigan (Gosset Jr.), acabam confinados em um planeta inóspito e desconhecido para ambos.
_ Espera aí... o que tem isso a ver com o relacionamento de casais, guerra dos sexos, etc.?

TUDO!

Senão, vejamos... mulheres e homens são, em determinadas situações, tão diferentes quanto seres de planetas diferentes - e o casamento, ou qualquer outra modalidade de união entre os mesmos, apresenta-se muitas vezes como um terreno hostil, desconhecido, cheio de surpresas ameaçadoras, assim como o tal planeta da história.

Mas continuando... o que começa com o ódio mortal entre as duas tão diferentes criaturas, acaba progredindo para uma profunda amizade, sedimentada pela admiração e respeito mútuo às diferenças de costumes. O terráqueo dedica muito do seu tempo ao aprendizado da complexa cultura draconiana. O draconiano aprende a falar a língua do terráqueo (inglês nesse caso).
Em determinado ponto da trama, é feita pelo soldado draconiano uma espantosa revelação ao seu companheiro de confinamento terráqueo. Ele está grávido! Mas como seria possível? Segundo explicação dada pela criatura gestante, os draconianos não precisam de pares para que possam reproduzir. Confesso que quando assistí a esse filme pela primeira vez (eu tinha uns 17 anos) , achei que aquela situação desafiava a lógica. Hoje sei que existem espécies de lagartos que se reproduzem por partenogênese - sem participação do macho! Na verdade, como os filhotes têm apenas genes das suas mães, são cópias idênticas das mesmas - fêmeas portanto. Isso mesmo, não existem machos dessas espécies. Mas há um fato curioso - as fêmeas simulam um acasalamento, com uma delas assumindo a posição do macho e a outra a da fêmea (hummm!).
Bem, mas voltando ao filme, Jeriba argumenta com Willis que os terráqueos precisam de dois indivíduos para procriar para que tenham a alegria de uma breve (algumas vezes muito breve mesmo) união. Segundo o draconiano, os terráqueos estão sempre solitários (intimamente). Nos faz pensar... machos e fêmeas produzem tantas substâncias iguais! porque a chave para procriar foi dividida em duas partes e cada uma delas dada a um gênero de nossa espécie? Talvez a resposta seja que o cruzamento genético, tende a produzir uma evolução nos indivíduos, ou talvez seja esta a única forma de obrigar criaturas egoístas por natureza a se unir para alguma coisa.

Até a próxima e assistam Inimigo Meu (juntos, de preferência)

Abraço

André Luiz